Dizem

Carlos nasceu na década de 1970 na cidade de Trombudo Central, no interior de Santa Catarina. É filho do contabilista Renato Schroeder e da professora Maria do Carmo Schroeder, e irmão mais velho de Juliana Schroeder (1980), Renato Schroeder Júnior (1983) e Eduardo Schroeder (2000). Carlos teve na biblioteca dos avós paternos o caminho para a escrita: obras completas de Maupassant, Hemingway e Tolstói. Estreou na literatura em 1998 com a novela "O publicitário do diabo" (Manjar de Letras), e de lá para cá lançou quase uma dezena de livros, com destaque para os romances "A rosa verde" (Editora da UFSC, 2005), "Ensaio do Vazio" (7 Letras, 2006), e para a coletânea de contos "As certezas e as palavras" (Editora da Casa, 2010). Em 2009 foi contemplado pelo Edital Elisabete Anderle, do Governo do Estado de Santa Catarina, com recursos para publicar uma antologia de suas peças de teatro. Ainda em 2009, foi um dos escritores catarinenses selecionados para representar o estado na Feira do Livro de Porto Alegre, por ocasião da homenagem do evento à Santa Catarina. Em 2010 foi agraciado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, do Governo Federal, para pesquisa e conclusão de seu romance "A mulher sem qualidades". Ainda em 2010, recebeu o Prêmio Clarice Lispector de Literatura, como melhor livro de contos do ano, por "As certezas e as palavras". Desde 2007 é cronista fixo (escreve todos os sábados) dos diários A notícia e O correio do povo. Casou em 2008 com a estilista Deborah Barros e é pai de Henrique Barros Schroeder, nascido em 2010. Carlos também integra as coletâneas "Geração Zero Zero" (Língua Geral, 2011), organizada por Nelson de Oliveira; "Como se não houvesse amanhã" (Record, 2010), organizada por Henrique Rodrigues; "A teus pés" (Editora da Casa, 2009), organizada por Manoel Ricardo de Lima e "O novo conto catarina" (Editora da Ufsc, 2008), organizada por Regina Carvalho.

Disseram

"Meus dedos deslizaram sutilmente entre os inúmeros sulcos até encontrarem o ponto desejado, com o polegar, acaricio a pequena protuberância, aperto suavemente.

Assim começa o primeiro capítulo de Ensaio do Vazio, o último romance de Carlos Henrique Schroeder, publicado pela editora 7Letras dentro da charmosa coleção Rocinante, em 2006. Este começo é só uma mínima pista do tráfego intenso de uma opacidade profunda para a superfície chamada "pele" (Valéry), que é por onde se move a escritura deste perambulador de leituras. Carlos é autor, também, de A Rosa Verde, romance publicado em 2005, e no qual trabalha, agora, obsedado entre papel e imagem, num roteiro para longa-metragem. Entre alguns outros publicou, também, a novela O Publicitário do Diabo, em 1998, depois Dueto, em 2001, e A ilha navegante, em 2003; além de uma peça de teatro aqui e acolá, como Hamlet 40 Graus, encenada em 1995. Carlos nasceu em Trombudo Central, em 1975, mas vive faz muito em Jaraguá do Sul, lá se move como escritor, editor de livros e, entre um laboratório e outro de escritura, dando aulas de e sobre literatura. Por isso ele diz que não consegue pensar numa "relação com" a literatura porque teria que se dissociar da palavra, mas que sua vida é um engendrar-se contínuo com a palavra e com a tarefa que é a literatura. Armada a questão, abre-se a brecha do problema.

A questão fica mais interessante ainda quando nos damos conta que no percurso do trabalho de Carlos há uma construção de uma cena de leitura obsessiva. Carlos é um escritor de suas leituras. Não à toa, também, seu projeto de romance (ainda inédito) toca uma questão oficial da literatura para refazê-la na frincha do cadáver: a figura do poeta Cruz e Sousa e sua poesia. É o corpo da escritura do poema que se translada no vagão de um trem no meio do feno e de sua animalidade morta, mas aí está o lance às avessas: os trechos do romance até agora roçam a figura de Cruz e Sousa, ou seja, o fantasma, a assombração, a imagem para fora de uma poesia que não houve, mas que há como dimensão do inferno.

Em duas falas suas sobre sua tarefa móbil com a escritura diz que: "A (minha) literatura se alimenta de literatura, então, nada mais comum do que escrever sobre o escrever ou escrever sobre o leitor. Nos meus textos há sempre uma relação direta com a escrita, como ofício. (...) com o ato de escrever. Em Ensaio do Vazio (...), num lampejo, há uma rebelião da personagem contra o autor. A personagem grita algo como: Ei! Carlos! Vais me deixar assim, aqui? Perdido!" E depois, na outra passagem de fala, comenta: "Não sou eu, mas é a minha voz, e não posso calá-la. A escrita deve queimar, como brasa.""

Texto de Manoel Ricardo de Lima, extraído do caderno Cultura, no Diário Catarinense,28/6/2008

Diz

"Sempre soube que de alguma maneira seria escritor, e quando me descobri um leitor compulsivo, que fazia seus próprios gibis e rabiscava contos numa caderneta, percebi que o caminho era aquele... E quando descobri que eu era doido, que tinha poucos amigos, e que seria sempre um solitário, cultivando a solidão num campo de algodão... Tive a certeza."

"Essa pulsão criativa sempre me acompanhou, sempre precisei escrever, sempre quis escrever..."

"Acho legal poder ser um camaleão da escrita e não ter o famoso "processo criativo", e sim um projeto de escrita, que muda a cada conto, a cada romance..."

"Gosto de me desafiar, criar empecilhos para meus narradores, e se fosse para definir meu tipo de escrita, diria que ela é refém de minhas leituras, sempre dialoga com minhas leituras, pois sou, sobretudo leitor, antes de escritor."

"Já quis ser muitas coisas, e até fui: Dj, promoter, recepcionista de hotel, diretor de jornais, publicitário, vendedor de roupas, e pasmem, até vendedor de carros, e sem saber dirigir! Mas hoje eu nem ao menos sou o que sei."

Produzido por: Felipe Alandt